As influências da moda e Asiática no Ocidente.
- Baby Yoda
- 28 de abr. de 2025
- 4 min de leitura
Como dizia Lavoisier, "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" O mesmo princípio se aplica no mundo da moda, tudo criado parte de influências e referências existentes no mundo, sejam elas da natureza ou algo criado pelo ser humano. É de conhecimento geral que a história da humanidade é marcada por diversas trocas de conhecimento entre civilizações, no Egito, por exemplo, o linho era a fibra têxtil mais utilizada, mas com as trocas comerciais mantidas com a Índia, eles passaram a conhecer a fibra de algodão, que posteriormente com o seu cultivo se tornaria o melhor algodão do mundo, desta forma, as trocas entre as civilizações proporciona a difusão dos saberes e da cultura de cada região, assim como o ocorrido entre Índia e Egito, o mesmo ocorrera com as civilizações asiáticas, em especial China e Japão, com a Europa.
Devido às grandes navegações iniciadas no século XV, houve uma expansão das rotas de comércio pelo mundo, proporcionando a "descoberta" de novas especiarias que seriam levadas e comercializadas na Europa, proporcionando um boom na procura por essas novas especiarias. O Chinoiserie é um termo em francês que descreve a imitação de motivos e/ou arte chinesa na arte e na arquitetura ocidental, que ocorreu principalmente durante o Rococó. Esse fenômeno foi marcado pela produção de porcelanas e outros artigos adaptados ao gosto do ocidente, surgindo assim oficinas especializadas em realizar tais artigos. As peças eram ornamentadas com desenhos de vegetais, flores, animais, etc e eram utilizadas nos interiores dos palácios para representar o luxo.


Já no contato com o Japão, o contato com os espanhois e portugueses resultou primeiramente no Namban, no qual era a arte japonesa realizada com técnicas e temas ocidentais ou também a arte realizada para a exportação e posteriormente, já na segunda metade do século XIX, o Japonismo. Uma grande apreciadora das artes Namban foi Catarina da Áustria, sendo uma figura importante na propagação do colecionismo da arte entre a corte, promovendo, por exemplo, a moda do leque dobrável japonês.
Já na metade do século XIX o japonismo influenciou o cenário das Belas Artes da Europa, sendo amplamente estudado, especialmente pelo surrealismo, pós-impressionistas, impressionistas e modernistas. O protagonismo do Japonismo foi tão forte que durante a segunda metade do século XIX foi-se o auge do colecionismo dessas peças. Monet, Van Gogh são alguns dos pintores renomados que beberam da influência do japonismo. Na moda, Charles Frederick Worth conhecido como o pai da alta costura, mescla elementos ocidentais da moda parisiense, como motivos japoneses. A assimetria também é outro elemento usado nas peças, no qual se faz comum nas peças japonesas, porém na moda ocidental era rara.
Pulando para o século XX, Paul Poiret traz os quimonos remodelando a silhueta feminina, no qual não a enfatizava mais a cintura. Madeleine Vionnet também foi outra estilista do século XX que trouxe a estética japonesa para suas peças. Ela utilizou em suas peças as formas retas, estrutura retangular e técnicas de confecção para criar looks inovadores.



Atualmente as influências da moda asiática perduram nas criações de artistas no ocidente, como é o caso do recente desfile realizado pela Dior Fall 2025, no qual trouxeram para a passarela looks que união a alfaiataria com os princípios da construção de um quimono, trazendo uma simbiose entre os dois mundos.
"Maria Grazia Chiuri atua no campo da moda em torno de um tipo de alma material em que a peça de roupa é o corpo: um corpo contemporâneo que integra a equação do quimono e a qualidade do tecido na arquitetura inerente ao DNA da Diretora Criativa. Dessa forma, foram desenvolvidos os casacos e as jaquetas com linhas generosas e envolventes, às vezes com cinto. Peças preciosas, tanto por seu tecido, a seda, quanto pela ideia de um jardim japonês que acompanha a silhueta." https://www.dior.com/pt_br/fashion/moda-feminina/desfiles-pret-a-porter/desfile-ready-to-wear-fall-2025
Com a globalização, as fronteiras entre as culturas diminuíram, sendo hoje possível termos acesso a materiais produzidos no local e esse fácil acesso proporciona uma maior difusão das culturas pelo mundo, inspirando artistas pelo mundo. Além da Dior outras Maison e artistas independentes criam ou criaram coleções maravilhosas a partir das inspirações da arte e da moda destas culturas, um bom exemplo é a moda de rua é bebe muito das estéticas japonesas, como saias plissadas, muito difundidas através dos animes, a estética kawai ou lolita com saia de babado e rendas dentre outras variadas subculturas existentes. Harajuku, um bairro onde é famoso pela moda urbana, é palco para expressão e individualidade dos japoneses, sendo uma grande fonte de inspirações para os amantes da moda.


Muito obg por ter lido até aqui, espero que tenham gostado. Até logo 💕
Referências Bibliográficas:
O JAPONISMO NA MODA, Iwamoto Luciana , UFRGS, 2014
La Seducción de Oriente: De la Chinoiserie al Japonismo, Tomás David, Artigrama, 2003

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