Figurinos: Histórias contadas através de roupas.
- Baby Yoda
- 18 de abr. de 2025
- 4 min de leitura
“Seja a época que for, o figurino, assim como a trilha sonora, locação, iluminação, direção de arte, o olhar e a intenção do diretor são fundamentais para o resgate histórico do período abordado.” (BRAGA, J – 2013, p.40). O figurino, assim como outros artifícios, como cita João Braga, é de suma importância, pois a partir dele a intenção proposta pelo diretor é recebida pelo público, isso devido à sua capacidade de gerar significados a quem os recebe.
O figurino atua como signo sendo passível de diversas interpretações por parte dos telespectadores. A sua utilização de não é um artifício recente, sendo datada a sua presença desde o teatro grego, fazendo uso de máscaras para a encenação dos personagens. No entanto, é com a commedia dell'arte que o figurino se torna um instrumento de caracterização importante dos personagens, tornando-os fáceis de identificar através de sua assinatura pessoal. (Viana, Fausto, 2021. 47, p.06).
A partir da caracterização de um personagem, é possível entender se ele é uma pessoa pobre, uma pessoa de classe mais abastada da sociedade. É possível identificar se é o vilão ou o mocinho, em qual época se passa a história, a idade do personagem, sua psique dentre outros significados que podem ser atrelados ao personagem somente a partir do figurino, vale ressaltar que o figurino são todos os adereços utilizados na composição da figura do personagem. É a partir da utilização deste instrumento de comunicação que muitas produções teatrais, musicais, cinematográficas, dentre outros, se apropriam para transmitir a história com maior veracidade.

Os figurinos podem ser classificados de três formas: Realista, Para-realista e Simbólico. No exemplo de Game of Thrones (2011 a 2019), há presença de um figurino para-realista, enquanto em produções como Napoleão (2023 e 1927), Orgulho e preconceito (2005), dentre outros, trabalham com o figurino realista. Já em filmes como Quebra-Nozes (2018), O mágico de Oz (1939) e até mesmo Clube da Luta (1996), utiliza-se dos figurinos simbólicos. Mas quais são as diferenças entre eles?
1 – Realistas: os que são conformes com a realidade histórica, pelo menos nos filmes em que o figurinista se refere a documentos de época e põe à frente das exigências de vestuário das vedetas a preocupação da exatidão.
2 – Para-realistas: quando um figurinista se inspira na moda da época, mas procede a uma estilização.
3- Simbólicos: quer dizer que a exatidão histórica não tem importância e que o figurino tem como missão traduzir simbolicamente os caracteres, os tipos sociais ou os estados da alma. (MARTIN, 2005, p, 76-77)



Mas como saber qual usar?!
A resposta para essa pergunta depende da obra que o autor irá realizar. Cada tipo de figurino serve para auxiliar na narrativa da história contada, trazendo uma maior conexão com a história contada. Uma vez que você decide retratar o Brasil durante a Belle Époque com verossimilhança à realidade, se faz necessário a utilização de um figurino mais vero-semelhante à realidade utilizada naquele momento. Já em produções que não necessitam de uma fidelidade à realidade e possuem flexibilidade, pode-se usar o para-realista. Um comentário acerca do para-realista e até mesmo realista que podem conter expressões simbólicas nas suas representações, como o filme Nosferatus. Temos na personagem principal, Ellen Hunter, uma mudança na paleta de cores na sua vestimenta, representando as mudanças psicológicas sofridas pela personagem durante a progressão da história.
Já o simbólico é quando há a liberdade de criação independente do espaço-tempo em que se passa a história. Um exemplo é no filme Pobres Criaturas, onde temos um suposto cenário datado do século XIX ao XX, porém as representações de vestuário e até mesmo ambientações misturaram modernidade com aspectos do passado. Da mesma forma acontece com as vestes da personagem de Emma Stone, Bella Bexter. No qual possui peças de roupa com características de variadas épocas, e, além disso o vestuário dela auxilia na demonstração da evolução da psique da personagem durante o progresso do filme.
A partir disso, é possível compreender que o figurino não é apenas uma roupa qualquer posta nas produções, mas sim uma ferramenta pensada com cuidado para toda uma caracterização de uma produção, seja ela ficcional ou real. Todos utilizam o figurino e, a partir dele, além de nos conectarmos, podemos ler os personagens e conhecer partes deles que muitas vezes não podem ser transmitidas em 120 minutos de um filme, ou 40 minutos de um dorama.
Muito obrigada por lê e até a próxima ! 💕😊
Referências Bibliográficas:
Figurino e Moda: Intersecções entre criação e comunicação, Raphael Castanheira Scroll, Roberta Del-Vechio, Guilherme Welter Wendt, - 2009
VIANA, Fausto | MUNIZ, Rosane, Figurino: Traje de cena – 2013
MARTIN, Marcel, A Linguagem Cinematográfica – 2005. p 76-77
Viana, Fausto Figurino e cenografia para iniciantes [recurso eletrônico] / Fausto Viana, Dalmir Rogério Pereira – 2. ed. – São Paulo: ECA/USP, 2021. 47 p.06

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